Minha mãe.
Selena sentiu os próprios olhos arderem ao olhar para Gale. Um homem
amargurado, que ao encontrar sua doçura, azedou. Um homem forte feito aço, mas que com um sopro cai, e com outro levanta. Um homem forte, que ao encontrar seu
ponto fraco, a fez sua maior força. E por isso ele não chorou ao olhar para a
filha chorando. Ele se manteve forte, mas com o coração fraco. As retinas do
maior arderam e seu nariz formigou. Ele fungou. Agora não! Mas era tarde; ele
já lacrimejava.
Olhou para a mulher de cabelos acobreados, e a mesma assentiu. E
como um movimento automático, ele ergueu o tronco, que mesmo sem ele perceber,
tinha cedido e abaixado um pouco; ergueu a cabeça, que mesmo sem ele perceber, estava baixa; limpou os olhos, que mesmo sem ele perceber, estavam chorando; e
andou até a filha, calmamente, fungando para não chorar, e deixando o coração
desfalecer. Ele não precisava de um coração agora. Ele precisava de Demetria... E
Demetria precisava dele.
Com um joelho no gramado e um pé lhe deixando equilibrado, ele
tocou no ombro da menina que chorava com as mãos enfeixadas no rosto. Ela não
precisou virar o rosto para ver quem era. Ela não precisou parar de chorar. Ela
só precisou falar:
— Pai.
E ela virou o corpo bruscamente, jogando os braços pelo pescoço do
homem ajoelhado e se deixando derramar no pescoço do pai.
Ela queria gritar. Não de medo, mas sim de alívio. Mas ela não
gritou.
Gale Fletcher enlaçou-a com seus braços as costas da menina e
trouxe-a mais para si. Ele queria sentir, só por um momento, por um segundo que
seja, a filha ali, não a esquizofrênica. E ele sentiu, por que Lovato o deixou
sentir. Ele pediu em pensamento que ela voltasse, abrisse a porta de seu
mundinho para ele. E ela abriu, mas não saiu.
—Filha... — suspirou contra os cabelos negros da garota.
Selena, que estava ainda atrás de uma árvore, mas fora de vista,
sorriu. Ele estava conseguindo. E merda, como ele queria aquilo para ela!
O bolso do jaleco que ela usava pesou, e ela enfiou a mão para
tirar o único papelzinho que lá tinha. O número de telefone da sua irmã. Como
ela tinha tanta certeza que era da irmã dela? Simples. Ela não tinha! Mas ao
mesmo tempo em que ela queria que fosse, ela não queria.
A enfermeira enfiou a mão no outro bolso do jaleco e tirou de lá
seu celular. Apertou-o na mão e fechou os olhos. Merda! E ao mesmo tempo em que
abriu suas pálpebras e deixava suas íris verdes respirarem, discou o número no
celular e girou os tornozelos, deixando pai e filha lá, se abraçado; enquanto
ela esperava a chamada ser atendida.
Demetria abriu os olhos, agora mais calma, e olhou para sua mãe que se
materializara ali. Atrás de seu pai. Em frente ao seu rosto. Arregalou os olhos
e afrouxou o aperto do abraço que dava em seu pai. Que saudades! Fazia tanto
tempo...
Deixou seu pai, ainda ajoelhado, confuso, e deu a volta em seu
corpo, indo até sua mãe. E pela primeira vez, ela soube que era mentira, que ela
verdadeiramente não estava ali e que ela não voltara para lhe visitar. Mas ela
precisava que fosse verdade. Ela precisava!
Sua mãe estendeu a mão para ela, com a bolsa pendendo no outro
ombro, com a mesma roupa da última vez que a virá... Mas a garota ainda não
pegou.
Gale, que estranhava a situação, perguntou com cautela:
— Quem está ai, filha?
Ele esperava ser Joseph, ou até o gato chamado grama, só não
Suze... A sua Suze!
A garota olhou-o por cima do ombro, mas não sorriu, só respondeu:
— A mamãe.
E virou o rosto, deixando um Gale embasbacado, tentando ver a sua Suze novamente.
— Demetria. — a voz da mãe falou. — Minha Demetria. — sorriu.
Sim; sua! E morrendo de saudades. Dê um fim a isso!
— Mãe... — choramingou. — Quando a senhora vem me visitar
novamente? — penalizada, continuou: — Estão dizendo que sou louca. — sussurrou, como da última vez, aproximando-se.
Suze sorriu.
— Não, minha Demetria. — Estendeu
mais a mão, se afastando. — Você que está
dizendo isso. Você que está pensando isso.
Você que está se machucando. Você
que está se maltratando.
Lovato não chorava. Ela precisava disso. Mas ela não queria.
Ela alcançou a mão da mãe, e ao pegar na mão da mesma, nada sentiu, ela
se esvaiu, evaporou, como uma bolha de sabão quando estoura. Mas pela última vez
falou:
— Você é mais que isso, minha
Demetria...
E deixou ambos pasmos. Gale olhando para a filha, e Demetria, olhando para
grama.
Continua...
Sexta-feira! Dia de ''A Esquizofrênica!''! E, se vocês perceberam, eu consegui programar os textos :) Graças a Deus!
Enfim. Sobre o capítulo passado, muitas pessoas não entenderam, e ainda ficaram na dúvida. Então, esclarecendo...: ''Sim, o Joseph é uma alucinação da Demi.''. Choquei vocês? Desculpem! Talvez estava bem claro desde o primeiro capítulo, isso era uma verdade, até para Luci; mas as vezes a gente não quer acreditar e nem enxergar a verdade, não é mesmo? Mas relaxem, a estória ainda não acabou! Ainda tem muita coisa para rolar. Um dia a Demi vai ter de descobrir que tudo não se passava da doença dela pregando uma peça nela, não é? Mas antes dela descobrir isso, ela vai se tocar, e já está se tocando, de que não era a doença pregando uma peça nela, era ela mesma. Todos sonham, não é mesmo? Ela queria amar, e assim foi feito. Ela amou. Mas esse foi só seu primeiro amor... Ou não. Talvez esse não seja seu primeiro. Bem, ainda tem a esquizofrênica 2! HAHAHA! Até segunda? Talvez eu seja muito boazinha e poste um esse fim de semana ;) O que acham? Comentem ai me falando se acham uma boa ideia.
Continua...
Sexta-feira! Dia de ''A Esquizofrênica!''! E, se vocês perceberam, eu consegui programar os textos :) Graças a Deus!
Enfim. Sobre o capítulo passado, muitas pessoas não entenderam, e ainda ficaram na dúvida. Então, esclarecendo...: ''Sim, o Joseph é uma alucinação da Demi.''. Choquei vocês? Desculpem! Talvez estava bem claro desde o primeiro capítulo, isso era uma verdade, até para Luci; mas as vezes a gente não quer acreditar e nem enxergar a verdade, não é mesmo? Mas relaxem, a estória ainda não acabou! Ainda tem muita coisa para rolar. Um dia a Demi vai ter de descobrir que tudo não se passava da doença dela pregando uma peça nela, não é? Mas antes dela descobrir isso, ela vai se tocar, e já está se tocando, de que não era a doença pregando uma peça nela, era ela mesma. Todos sonham, não é mesmo? Ela queria amar, e assim foi feito. Ela amou. Mas esse foi só seu primeiro amor... Ou não. Talvez esse não seja seu primeiro. Bem, ainda tem a esquizofrênica 2! HAHAHA! Até segunda? Talvez eu seja muito boazinha e poste um esse fim de semana ;) O que acham? Comentem ai me falando se acham uma boa ideia.
Beijos gatas e gatos seduzentes ;* Amo vocês forte!







